Que a igreja cristã originalmente realizava suas reuniões principalmente em residências é do conhecimento comum e ponto pacífico (Atos 16:40, 20:20, Romanos 16:3-5, 1 Coríntios 16:19, Filemom 1:2 e Tiago 2:2). Porém, menos conhecido é o fato de que a igreja primitiva continuou essa
prática por centenas de anos, bem depois de serem completados os escritos do Novo Testamento. C. F. Snyder observou que “a igreja do Novo Testamento começou como uma pequena igreja domiciliar (Colossenses 4:15) e assim continuou até a metade ou o fim do terceiro século. Não existem evidências de grandes lugares de reunião, antes do ano 300 da nossa era (Graydon Snyder, Church Life Before Constantine, Mercer University Press, 1991, pág. 166). Pelo tempo que os Estados Unidos existem como nação, a prática universal da igreja foi a de reunir-se em residências. Citando novamente Snyder:” não existe evidência literária nem indícios arqueológicos de que alguma residência tenha se convertido num edifício de igreja, nem de que alguma igreja tenha sido construída antes de Constantino “(pág. 67). Porque as igrejas domiciliares foram o padrão por tanto tempo?

A explicação mais comum para a existência das primitivas igrejas domiciliares foi a pressão da perseguição, similar à situação hoje existente na China. Porém, é possível que tenha havido outras razões, igualmente influentes, para a existência de congregações em residências? Suponha que não houvesse perseguição no primeiro século. Podemos assumir então que edifícios de igrejas poderiam ter sido construídos e que as congregações poderiam ter se mudado para prédios enormes, limitados apenas pelas dimensões do maior edifício encontrado na localidade?

É freqüentemente ignorado que os seguidores de Jesus muitas vezes se encontravam em residências, enquanto simultaneamente iam “caindo na graça de todo o povo” (Atos 2:47). A perseguição nunca foi um fator influente. Baseados em 1 Coríntios 14:23 (“Se, pois, toda a igreja se reunir num mesmo lugar e... entrarem indoutos e incrédulos...”), entendemos que era possível que não crentes também freqüentassem as reuniões da igreja e que, então, elas não eram sempre secretas para os de fora.
Simplesmente não é verdade que os antigos crentes foram perseguidos sempre e em todos os lugares. Perseguições antes de cerca do ano 250 foram esporádicas e sempre mais o resultado da hostilidade de grupos do que de decretos oficiais de alguma autoridade do Império Romano.
Surpreendentemente, os oficiais romanos freqüentemente apresentavam atitudes ligeiramente favoráveis aos cristãos, protegendo-os de perseguições ilegais movidas por judeus incrédulos (Atos 16:35, 17:6-9, 18:12-16, 19:37-38, 23:29, 25:18-20, 25:24-27, 26:31-32). Antes de 250, o cristianismo era ilegal, mas geralmente tolerado. É fato relevante que as perseguições sistemáticas não ocorreram antes do ano de 250, com o Imperador Décio, seguido por Gallus (251-253), depois Valeriano (257-259) e finalmente Diocleciano (303-311) (Williston Walker, A History of The Christian Church , Charles Scribners Sons: New York, 1970, pág. 43). Alguém,em algum lugar, poderia haver construído um edifício especial para alguma igreja nos 200 anos anteriores a Decius, mas significativamente, nenhuma foi construída .(Inclusive na China de hoje crentes trabalham para construírem edifícios para igrejas).

Poderia a pobreza ser um fator decisivo na explicação da total ausência de edifícios de igrejas durante os tempos do Novo Testamento e nos séculos seguintes? Muitos dos primeiros convertidos ao cristianismo vieram do judaísmo.

A construção de sinagogas era comum através do mundo mediterrâneo. Presumivelmente esse mesmo povo tinha os meios de construir edifícios de igrejas. A maioria dos convertidos nos anos seguintes era de pagãos, que antes construíam enormes edifícios para suas igrejas. Não teriam os gentios convertidos ao cristianismo capacidade de custear a construção de prédios para suas reuniões?

Que alguns ricos estavam entre os eleitos de Deus, fica claro pela advertência de Timóteo: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos; que pratiquem o bem, que se enriqueçam de boas obras, que sejam liberais e generosos” (1 Timóteo 6:17-18). Também Tiago alertou sobre o favoritismo demonstrado para com aqueles que freqüentavam a igreja usando colares de ouro e vestindo roupas finas (Tiago 2:1-4), confirmando que essas pessoas tinham envolvimento com a igreja.

Evidência mais específica da presença de crentes mais abastados nas igrejas, podemos ver na censura de Paulo aos ricos de Corinto pelo desrespeito aos pobres, recusando-se a tomar a Ceia do Senhor junto com eles: “... Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo”. (1 Coríntios 11:22). A pobreza, apenas, claramente não foi um dos fatores decisivos na ausência de edifícios de igrejas durante esses primeiros séculos.  

Devemos atentar também para a total ausência de qualquer instrução no Novo Testamento sobre a construção de edifícios especiais para igrejas. Isso contrasta com a legislação mosaica do Velho Testamento, que continha instruções e projetos muito específicos respeitantes ao tabernáculo.

Quando os escritores do Novo Testamento se dedicam a esse assunto, eles declararam que os próprios crentes eram o Templo do Espírito Santo, as pedras vivas que, juntadas, formariam o templo espiritual, com Jesus Cristo como a principal pedra de esquina (1 Pedro 2:4-5, Efésios 2:19-22, 1 Coríntios 3:16 e 6:19). Então, podemos concluir que a construção de edifícios para igrejas é uma questão indiferente para o Senhor. E o que é pior, ela pode ser um retorno carnal às sombras da lei mosaica.

A paz,a graça, a misericórdia e o amor de Deus seja para com todos,amém!!!!

4 comentários:

Daniel Santos Sa Silva disse...

Paz e Graça irmãos....Glória Deus por isso!!
Jesus diz aos judeus, vcs derrubam este templo e eu o reedificarei e três dias, deixando a entender q seria sua morte e ressurreição, mas a questão eh...TEMPLO do espírito santo de Deus!

Daniel Santos Sa Silva disse...

Paz e Graça irmãos....Glória Deus por isso!!
Jesus diz aos judeus, vcs derrubam este templo e eu o reedificarei e três dias, deixando a entender q seria sua morte e ressurreição, mas a questão eh...TEMPLO do espírito santo de Deus!

Jhonys Santana disse...

Amém!!

Jhonys Santana disse...

Amém!!

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